Anne vai para casa, ficou horas na escola chorando e já está escuro, deve ser umas 11 horas ou por esta volta, ela caminha feito um zumbi para casa, mais uma vez alguém quebrou seu coração, mas ninguém nunca havia quebrado daquela maneira, também ela nunca havia se apaixonado daquela maneira.
Enquanto andava ela chorava e pensava em todos os momentos bons que teve com Duda, como tudo começou e como era lindo naquela época, é irônico como quando chega o fim a gente começa a pensar no começo.
Ela ia andando calmamente, até que alguém lhe pegou por trás e lhe enfiou um pano no rosto, era um pano com algum tipo de produto, com cheiro muito forte, a visão de Anne começou a ficar embaçada e ela desmaia.
Após um tempo, ela acorda, seus olhos ainda estão muito embaçados. Ela consegue ouvir a voz de dois homens conversando, seu ouvido está zumbindo muito então nem tudo que eles falam ela entende.
- O combinado é que ela era minha... – diz um dos homens que ela não consegue reconhecer. - ... ficar com as suas sobras.
- O plano foi meu... justo que seja... – Anne não consegue entender o que eles falam parece que o remédio ainda faz efeito.
- Ela é minha... eu ... a ter primeiro...
Os rapazes se viram, ela enxerga tudo meio nublado mas ainda consegue vê-los. – Quem está aí? – exclama um deles, o zumbido não deixa Anne ouvir o que ou quem respondeu.
- O que você quer... vai cuidar da sua vida!
- Deixem... eu estou mandando – responde a voz de um rapaz que Anne não consegue ver quem é, só consegue notar que a voz vem de trás dela e é diferente da dos seus seqüestradores.
- Qual é... vai morrer...
Anne vê um rapaz passando por cima dela, e tirando seu casaco e sua camiseta e jogando no chão em suas costas ela vê uma grande tatuagem em forma de caveira em chamas.
- Eu vou bater em vocês até a morte. – diz o rapaz fechando os punhos para brigar, a visão de Anne fica mais embaçada e ela desmaia.
Algum tempo depois, Anne ouve uma voz chamando por ela:
- Anne... Anne... Anne... – ela começa a abrir os olhos e a sentir leves tapas em seu rosto, seus olhos estão embaçados ainda, mas ela consegue reconhecer que é Pedro.
- Pedro o que você está fazendo aqui?
- O que eu? O que você está fazendo aí?! Eu te encontrei atirada no chão.
- Eu não me lembro direito o que aconteceu comigo... – Anne tenta se levantar e está cambaleando.
- Está tudo bem? – diz Pedro segurando Anne que quase caiu no chão.
- Sim, está. – diz ela ao se lembrar que Duda havia acabado com ela, não queria que Pedro a visse chorar por isso falou - vá embora, eu estou bem. Quero ficar sozinha...
- Mas Anne eu...
- FORA!!! – Pedro olha assustado para Anne e acaba indo embora, ela chora sentada naquele beco sujo e nem vê o tempo passar, quando nota já está tarde e escuro. Ela nota o perigo que corre ficando parada naquele lugar, ela se levanta e vai embora.
Nem há pessoas na rua, no seu relógio diz que são quatro horas da madrugada, pelo jeito elas teve sorte de não ter sido assaltada ou algo assim, ela não se lembrava direito do que havia acontecido com ela e por isso nem conseguiria reconhecer seus agressores muito menos seu salvador.
Ela seguia andando na rua chorando, lembrando das palavras de Duda, até que começa a chover.
- Era só o que faltava! – exclama Anne que segue andando tentando se proteger da chuva, ela nota que se perdeu e nem imagina aonde está ou como voltar para casa, isso a faz chorar mais ainda até que ela começa a ouvir um barulho estranho que ela não consegue decifrar o que é ou de onde vem.
- Dururududu dururududu...
Após um tempo ela consegue ver um rapaz de mais ou menos um metro e oitenta de altura, cabelos castanhos claros, corpo malhado e com a roupa toda encharcada da chuva dançando e cantando pela rua:
“I'm singing in the rain
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love”
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love”
Até que o rapaz nota a presença dela e pergunta:
- Olá, o que uma menina tão bonitinha faz na rua, na chuva e chorando?
- Não é do seu interesse.
- Nossa! Quanta raiva nesse coraçãozinho, venha cante comigo…
“Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I have a smile on my face”
Everyone from the place
Come on with the rain
I have a smile on my face”
Canta o rapaz sorrindo mas ao ver que Anne segue seu rumo ele para de cantar e dançar e a acompanha:
- Ei, espera. Você nem me disse o seu nome…
- E por que deveria? – pergunta Anne.
- Por que são as regras de etiqueta...
- E quem disse que eu falaria o meu nome verdadeiro?
- E quem disse que eu acreditaria? Eu só não quero ter que ficar te chamando de Bela Moça toda hora – diz ele sorrindo.
- Renata – diz ela, pois foi o primeiro nome que lhe veio a cabeça.
- É feio mentir, sabia? Seu nome não é esse. – diz o rapaz balançando negativamente a cabeça.
- Como sabe que estou mentindo ou não?
- Eu não preciso saber, me chamo Henrique; pode me chamar de Henri. Todos me chamam assim.
- Como faço pra sair desse lugar horrível e chegar em casa? – diz Anne tentando mudar de assunto.
- Bem, isso depende de aonde você mora... – Anne ouve essas palavras e não quer que aquele rapaz inoportuno saiba onde ela mora.
- Não lhe interessa...
- Bem, então não interessa também que caminho tomar... dururududu dururududu – diz ele começando a cantar novamente e a sair de perto da moça.
- Ei espere! - o rapaz se vira com um sorriso no rosto, Anne não vê escolha e pede ajuda para ele. – me ajude a chegar até em casa...
- Como é que se pede?
- Por favor... – diz ela.
- Claro, vou lhe ajudar a secar as suas lagrimas, mas até agora você não me disse o seu verdadeiro nome...
- Julianne.
- Siiiiiiiiiiim, olha Jujuzinha. Eu vou te ajudar a melhorar até o caminho da sua casa – o rapaz segura a mão de Anne puxa-a para perto de si e chega bem próximo ao seu rosto quando ela pensa que ele vai dar um beijo ou algo assim, ele canta e dança junto com ela:
“I walk down the lane
With a happy refrain
Just Singin', singin' in the rain
Dancing in the rain
I'm happy again
I'm singin' and dancin' in the rain
I'm dancin' and singin' in the rain”
With a happy refrain
Just Singin', singin' in the rain
Dancing in the rain
I'm happy again
I'm singin' and dancin' in the rain
I'm dancin' and singin' in the rain”
E ele vai levando a moça até em casa. Anne fica muito irritada com aquilo, mas durante aqueles momentos, esqueceu completamente de Duda.
CONTINUA...

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