sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Episódio 14 - Me Acorde Quando Setembro Acabar

Wake me up When September Ends

O verão chegou e passou
A inocência nunca dura
Me acorde quando setembro acabar

Assim como meu pai se foi
Sete anos passaram muito rápido
Me acorde quando setembro acabar

Lá vem a chuva de novo
Caindo das estrelas

Encharcado na minha dor de novo
Tornando-nos quem nós somos

Enquanto a minha memória descansa
Mas nunca esqueço o que eu perdi
Me acorde quando setembro acabar



     Uma semana após Anne vai até uma loja de alianças, para comprar um anel de compromisso para ela e Duda. Ela sabia que Duda gostava de prata então guardou meses de sua mesada para comprar os anéis.
     - Olá eu vim comprar dois anéis de prata. – diz ela sorrindo para o atendente.
     - Muito bem e você vai querer alguma coisa escrita? – pergunta a moça que a atende com um sorriso simpático.
     - Sim, Duda e Anne – diz ela ainda um pouco envergonhada em dizer isso, a atendente perde o sorriso por um momento, mas retorna com ele logo em seguida só que agora mais amarelo. – é um anel de amizade – diz Anne tentando se explicar.
     - Claro – diz à atendente que não consegue esconder que não acredita naquilo, Anne prefere não tentar se explicar mais e espera os anéis chegarem, quando chegam ela os olha: dois anéis feito de prata com medidas exatas para o seu e o dedo de Duda dentro dele está escrito “Anne & Duda para sempre” embora ficasse latente, não deixava claro que era amor.
     Anne estava feliz com aquilo, sabia que Duda adorava anéis e alianças e que adoraria receber uma de Anne, após meses juntando dinheiro finalmente ela conseguiu o que precisava para dar aquele presente. Elas iriam se encontrar aquela noite e Anne daria o presente, já estava animada com a idéia, ela amava o sorriso de Duda e estava louca para vê-la sorrir mais uma vez, ela sai feliz da loja imaginando o quão maravilhoso seria aquele encontro.
     Em um shopping no centro da cidade, Lipe espera por seu amigo Jean, que está atrasado. Lipe está nervoso, mas finalmente Jean chega. Jean é um rapaz bonito com franja e cabelo loiro escuro mais baixo que Lipe.
     Eles apertam suas mãos embora estejam com vontade de ir muito mais longe que isso, mas há muitas pessoas na volta, talvez até conhecidos.
     Eles comem um lanche e conversam e o desejo de um pelo outro se nota a cada olhar, a cada sorriso, a cada palavra. Eles vão a um cinema e lá dentro realizam o desejo de se amar que por horas estavam segurando.
     - Lipe, eu quero te perguntar uma coisa.
     - Fala... – diz ele fazendo carinho na franja de Jean.
     - Esta semana eu volto para minha cidade natal e quero que você venha comigo. Você já tem 18 anos e eu tenho como te sustentar até você conseguir algum emprego. Quero você junto comigo, o que me diz?
     - E-eu não sei... eu teria que abandonar toda minha vida, me dá um tempo pra pensar nisso, ok?
     - Ok – diz Jean com uma cara de desanimado.
     - Hey! Eu gosto muito de você ok? – diz Lipe beijando Jean mais uma vez – e adorei o convite.
     Chega finalmente à noite, quando Anne e Duda vão se encontrar.
     Anne está muito feliz, ela se preparou a tarde inteira para o dia, escolheu sua melhor roupa, foi ao cabeleireiro aonde passou horas até que acertassem seu cabelo, a maquiadora e se preparou para estar o mais bela possível para aquela noite, pois ela queria que fosse muito especial. Ela reservou um belo restaurante para aonde elas iriam se encontrar chegou meia hora antes do horário, estava muito ansiosa e aguardava suando frio pelo momento que Duda chegasse e visse o anel com a mensagem dentro, anel representa uma união sem fim, um circulo sem principio ou final.
     Duda parece que se atrasou e Anne olha toda hora para o relógio e também para o espelho para saber se está ainda bem arrumada. O garçom também chega a toda hora para perguntar se ela quer alguma coisa, mas ela sempre diz que está esperando alguém importante e que depois pedirá alguma coisa.
     Passam-se algumas horas, parece que Duda não virá, Anne começa a chorar, fica pensando se Duda se esqueceu dela. Aquela noite era tão importante para ela, tão importante e ela esqueceu. – Anne deixa um pouco de dinheiro na mesa e sai, volta para casa chorando e passa a noite inteira assim, chorando.
     Ela não consegue entender o que aconteceu, porque Duda se esqueceu dela? Porque ela não foi ao encontro? Porque deixou Anne esperando a noite inteira para não dar nenhuma noticia.
     Anne vai até a escola no outro dia, está furiosa, ela não encontra Duda. Duda não foi à aula e Lipe não sabe o que houve com ela. Passam mais dois dias e nada de Duda na escola, Anne pensa no pior, mas no terceiro dia Duda aparece.
     - Por onde você andou Duda? Eu estava preocupada – diz Anne indo abraçá-la, mas é parada no meio do caminho por Duda.
     - Anne, precisamos conversar.
     - Ok – elas vão até o pátio da escola. – Duda eu senti tanto a sua falta, aquele dia você faltou no nosso encontro e agora faltou dois dias na aula, eu fiquei hiper preocupada com você, milhões de coisas passaram pela minha cabeça, eu pensei em ir à sua casa, mas a sua mãe não vai com a minha cara parece que ela fareja que eu gosto de você, então esperei. Que bom que você voltou, eu estava com tantas saudades de você – diz Anne indo beijar Duda que coloca a mão na frente.
     - Anne, eu quero acabar.
     - O que? Como assim?
     - Não quero mais namorar com você.
     - Eu não entendo Duda. A gente estava bem, nunca brigamos o que houve?
     - Nunca daríamos certo, meus pais nunca iriam nos aceitar, só estamos nos enganando.
     - Mentira! Não é isso, diga a verdade – diz Anne chorando.
     - Anne, esquece isso... eu não quero te machucar mais ainda.
     - Me fala a verdade, Duda! O que está acontecendo?!
     - Há outra pessoa, sinceramente – diz Duda limpando as lágrimas do rosto de Anne – eu ainda gosto muito de você, mas também gosto muito dessa pessoa. Desculpe-me.
     - Como assim? Você vai me deixar assim do nada por causa de alguém?
     - Eu sou realista e sei que não daríamos certo juntas, adeus Anne. Espero que possamos ser amigas e que você seja muito feliz. – Duda vira as costas e vai embora, enquanto que Anne se põe a chorar e nunca mais se esqueceu daquele dia 20 de setembro.

FIM DO PRIMEIRO VOLUME

CONTINUA...



... AGORA MESMO

Mad World - Gary Jules

Tudo ao meu redor são rostos familiares
Lugares desgastados, faces desgastadas
Claro e cedo para suas corridas diárias
Indo a lugar nenhum, indo a lugar nenhum
Suas lágrimas estão enchendo seus copos
Sem expressão, sem expressão
Escondo minha cabeça, eu quero afogar meu sofrimento
Sem amanhã, sem amanhã

Eu acho isso meio divertido
Eu acho isso meio triste
Os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que já tive
Eu acho difícil para dizer-lhe
Eu acho difícil para aceitar
Quando pessoas correm em círculos,
Este é
Um Mundo louco, mundo louco



     Anne vai para casa, ficou horas na escola chorando e já está escuro, deve ser umas 11 horas ou por esta volta, ela caminha feito um zumbi para casa, mais uma vez alguém quebrou seu coração, mas ninguém nunca havia quebrado daquela maneira, também ela nunca havia se apaixonado daquela maneira.
     Enquanto andava ela chorava e pensava em todos os momentos bons que teve com Duda, como tudo começou e como era lindo naquela época, é irônico como quando chega o fim a gente começa a pensar no começo.
     Ela ia andando calmamente, até que alguém lhe pegou por trás e lhe enfiou um pano no rosto, era um pano com algum tipo de produto, com cheiro muito forte, a visão de Anne começou a ficar embaçada e ela desmaia.
     Após um tempo, ela acorda, seus olhos ainda estão muito embaçados. Ela consegue ouvir a voz de dois homens conversando, seu ouvido está zumbindo muito então nem tudo que eles falam ela entende.
     - O combinado é que ela era minha... – diz um dos homens que ela não consegue reconhecer. - ... ficar com as suas sobras.
     - O plano foi meu... justo que seja... – Anne não consegue entender o que eles falam parece que o remédio ainda faz efeito.
     - Ela é minha... eu ... a ter primeiro...
     Os rapazes se viram, ela enxerga tudo meio nublado mas ainda consegue vê-los. – Quem está aí? – exclama um deles, o zumbido não deixa Anne ouvir o que ou quem respondeu.
     - O que você quer... vai cuidar da sua vida!
     - Deixem... eu estou mandando – responde a voz de um rapaz que Anne não consegue ver quem é, só consegue notar que a voz vem de trás dela e é diferente da dos seus seqüestradores.
      - Qual é... vai morrer...
      Anne vê um rapaz passando por cima dela, e tirando seu casaco e sua camiseta e jogando no chão em suas costas ela vê uma grande tatuagem em forma de caveira em chamas.
      - Eu vou bater em vocês até a morte. – diz o rapaz fechando os punhos para brigar, a visão de Anne fica mais embaçada e ela desmaia.
      

CONTINUA...

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