sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Episódio 1 - Outra vez Talvez

 "Sofrendo calado
Olhando pro lado
Fingindo que eu não me importei 
E que tudo ficou lá no passado
Querendo ir embora
Só mais meia hora
Lutando pra não desabar 
Tentando não chorar 
Rindo por fora
                            Darvin - Outra vez Talvez



     Anne acorda, olha para seu ventilador preso no teto, o ventilador já está tão velho que já não faz quase nenhum ar, chega a dar para ver as hélices girando calmamente. Ela não quer levantar da cama, ela não quer ir a aula, na realidade, ela não quer ir a lugar algum, ela só quer passar o dia inteiro na cama deitada, não falando com ninguém e de preferência chorando. O motivo disto chama-se Thiago, o rapaz por quem Anne é apaixonada. Eles chegaram a passar um bom tempo juntos mas houveram alguns problemas.
     Thiago nunca valorizou Anne como ela merecia tendo até a traído várias e várias vezes, Anne acabava descobrindo e perdoando. Por mais que ela soubesse dos defeitos de seus namorado ela o amava e não queria abandona-lo, ela se sentia protegida ao seu lado e não queria perder esta proteção; mas um dia Thiago traiu Anne mais uma vez e resolveu acabar o namoro porque queria ficar de vez com a amante.
    Anne chorou por semanas, seus amigos tentavam acalma-la mas não conseguiam, ela era muito emotiva com relação a sentimentos e isso a machucava muito, seus pais então resolveram troca-la de escola para ver se ajudava na recuperação do seu coração que havia sido quebrado.
    Sua mãe bateu na porta do seu quarto, ela não tinha escolha tinha de ir a nova escola; então ela se levantou e desceu as escadas para a sala.
    Anne era uma menina de 16 anos, cabelos castanhos compridos, era magra, media por volta de 1,70m e normalmente era bem sorridente mas desde que tudo aquilo aconteceu ela perdeu sua vontade de sorrir; na realidade mesmo enquanto ela estava namorando com Thiago ela já havia perdido, só que ao invés de sofrer tudo de uma vez só, ela sofria aos poucos.
    Mas não adiantava, por mais que todos dissessem que ele era um canalha, ela o amava e nada disso importava; ela acreditava que conseguiria modificar Thiago, uma pena que fosse ingenuidade dela pois ele não queria mudar então nunca mudaria.
    Ao chegar ao ultimo degrau da escada viu sua mãe e sua irmã mais nova tomando o café da manhã, ainda estava com os olhos vermelhos tanto de dormir pouco como de chorar.
    - Minha filha, venha fazer seu lanche - chamou gentilmente a mãe de Anne.
    - Não tô com fome,mãe; na escola eu como alguma coisa - disse Anne pegando sua mochila e indo em direção a porta.
    - Julianne! Você não pode ficar sem comer assim você vai morrer, menina! - disse a mãe tentando por um pouco de juízo na cabeça da filha.
    Anne que já estava com a mão na maçaneta pensou no que a mãe disse por um milésimo de segundo e enquanto uma lágrima escorreu do seu rosto ela disse:
    - Até que não seria uma má ideia.
    Sua mãe deu um gritinho com a frase da menina mas antes que pudesse dizer algo Anne já havia saido em direção a escola.
     Se havia algo que com certeza ela não gostava era mudar de escola, ir para um lugar novo aonde ela não conhece ninguém e as vezes as pessoas não são bem receptivas não era divertido.
     Ela chegou entrou na sala e se sentou em uma classe, ficou quieta olhando para o quadro negro que ficava a sua frente, o professor ainda não havia chego, e ela ficou ali olhando para o nada pensando em tudo que estava acontecendo na sua vida daquele a partir daquele instante.
     Quando de repetente um rapaz senta em cima da sua classe, um rapaz de cabelos curtos e escuros e olhos lindos um tom azul meio esverdeado, um rapaz forte com mais ou menos 1,80 de altura, que usava uma camiseta justa provavelmente para já mostrar mais ainda os seus atributos fisicos se sentou ali e ficou olhando atentamente e com um sorriso malicioso no rosto para Anne.
     - Olá, me chamo João Vitor. Você é nova na escola, não é mesmo?
     - S-sim, sou. - respondeu Anne ainda envergonhada.
     - Hummm, e como você se chama? - disse ele tentando parecer galeanteador a cada palavra.
     - Julianne.
     - Ju-li-an-ne - disse ele separando bem cada sílaba - belo nome. Enfim, Julianne, eu sou o maioral dessa escola, e para a sua sorte; eu decidi que você sairá comigo amanhã. Então que horas devo pega-la na sua casa?
     -Ahn, desculpe mas não estou interessada. - disse ela vendo o professor entrar na sala de aula e já pegando seu caderno - agora com licença, eu gostaria de estudar. - com certeza ela o achara bonito mas ela não estava pronta para um novo relacionamento muito menos com alguém que já começa querendo lhe dar ordens.
      João fechou a cara e saiu de perto dela e foi se sentar bravo que nem uma criança que não recebe o presente que pediu no Natal.
      Um rapaz senta ao lado de Anne durante a aula, ele chega quase caindo e todos riem, pelo jeito ele é a chacota da sala de aula.
      - O-oi - diz ele rindo de si próprio por ser desajeitado para Anne.
      - Olá - diz Anne sem tirar os olhos do seu caderno.
      - Eu me chamo Pedro, prazer - diz ele esticando a mão para ela.
      Anne para de escrever e olha para ele, um rapaz de cabelos lisos (embora mal cuidados) castanhos, com olhos castanhos bem escuros mas com um brilho fora do comum, não era um rapaz bonito era simplesmente normal.
      - Prazer, me chamo Julianne. - ela sentiu que aquele menino era diferente do outro, não de um modo que pudesse se explicar mas notou que era diferente - mas pode me chamar de Anne, é assim que meus amigos me chamam. - disse ela logo após voltar a copiar o que o professor falava.
     O rapaz sorriu e respondeu:
     - Ok, Anne. Pode me chamar de Pedro, se eu tivesse amigos acho que eles me chamariam assim - disse o rapaz zombando de si mesmo.
     - Como assim? Você não tem amigos? - perguntou Anne abismada.
     - Bem, a não ser que você considere seus amigos aqueles que pintam suas unhas com corretivo quando você está dormindo ou tentem acender um isqueiro em você. Porque eu não considero isso meus amigos.
    - Meu deus que horror. Bem, agora você tem uma amiga: eu.
    Pedro olha por um instante para Anne e responde:
    - Legal... - depois os dois voltam a escrever em seus cadernos.
    Anne se sentiu melhor em ver que estava ajudando alguém que parecia que precisava tanto de ajuda quanto ela, e assim o dia passou até ela voltar para casa e voltar seus pensamentos novamente para Thiago e a crise depressiva voltar.

CONTINUA...

 

Leia o segundo episódio neste link: Episódio 2 - Eu estou viva!

Um comentário:

  1. Então... gostaria de dizer que este primeiro episódio está excelente. Retrata bem o que acontece quando se ama de verdade, e tanto amor não é retribuído. Adorei muito, e fico no aguardo do segundo episódio.

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