Anne procurou a tarde inteira por Pedro e não o encontrou, decidiu ir até a casa do rapaz para tentar conversar com ele mais uma vez, ela bate na porta e ouve uma movimentação do outro lado, alguém gira o trinco da porta e a abre; é Pedro que havia acabado de sair do banho, estava só com uma bermuda e com a toalha nos ombros, seu cabelo ainda estava molhado, ele olha para Anne e como se já a esperasse diz para ela entrar e se senta no sofá.
Anne senta-se delicadamente no sofá, ela pensou a tarde inteira no que diria para o rapaz, ela respira fundo e quando vai falar alguma coisa Pedro a interrompe:
- Anne para que vamos conversar? Sabemos que vai ser inútil, eu vou continuar apaixonado por você, você vai continuar apaixonada pela Duda e nós dois vamos continuar sofrendo.
- Pedro, eu...
- Outro dia eram quatro horas da manhã e você estava me ligando, querendo conversar, sempre eu mais ninguém...
- Eu ligo pra... – Anne é interrompida mais uma vez.
- Eu sei, porque você se sente mais confortável falando comigo, eu te falo as coisas que você quer ouvir, mas nunca será o suficiente para você esquecer a Duda. Quantas noites eu me perguntei como você estava naquela hora? Era sempre assim, eu me preocupando com você e você nem ligando, e eu sempre passava o dia inteiro pensando no que dizer para você, para você ouvir o que sempre quis de alguém, porque sem o seu amor eu não sou nada e é por isso que eu insisti tanto e espero que agora você esteja entendendo o porque que eu não entendo você me dizendo que não consegue esquecer ela, porque quanto mais ela faz mais você corre atrás, e eu te esperava sempre. Aquele dia em que encontrei você desmaiada no chão, ela não estava nenhum pouco preocupada com você, eu estava e você nem se importou com isso – neste momento o pensamento de Anne vai longe, até aquela tarde e até a tatuagem nas costas do rapaz que salvou Anne, será que esse rapaz era o Pedro? Talvez ele tivesse dito isso no meio tempo em que seu pensamento viajou, agora ela estava com mais essa dúvida na cabeça.
- Pedro, eu... – Anne vai falar e é interrompida mais uma vez
- Não, deixa eu acabar o que eu tenho pra falar. – Pedro respira fundo e aperta os olhos com as mãos – Quantas noites você já perdeu por nada? Quantas vezes você já chorou por nada? E o tempo todo eu sei que to aqui sem medir esforços para te ver sorrir, mas também foi por nada. Mas eu cansei de esperar, eu vou seguir a minha vida. Foi você quem quis assim e agora vamos ser só amigos, não que tenhamos sido outra coisa em algum momento – diz Pedro tentando se explicar – mas que agora eu me sinto mais livre, vamos parar de nos culpar dessas coisas.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Lipe finalmente vai encontrar Jean para responder sua decisão sobre ir morar com ele em sua cidade. Lipe chega, eles se abraçam forte, eles se sentam, Jean pega na mão de Lipe que engole em seco e fala:
- Jean, eu pensei muito e decidi que preciso ficar, tem gente que precisa de mim aqui e lá eu teria que começar toda uma vida nova, não quero ficar dependendo de você. – Jean chora um pouco mas seca rapidamente suas lágrimas.
- Tudo bem, respeito a sua opinião. Então... acho que isso é um adeus, não é?
- Não, isso é um até breve... – eles se abraçam novamente e Lipe sai, decide ir até um bar, ele se senta na frente do balcão e pede um Martini, começa a beber e nota que conhece o rapaz que está ao seu lado, pensativo olhando para sua garrafa de cerveja está Henri.
- Oi, Henri – diz Lipe.
- Oi – diz Henri que estranha ao ver que encontrou alguém conhecido – o que faz aqui? – pergunta Henri.
- Bebo.
- Sim, mas todos bebem por um motivo. – diz Henri tomando mais um gole de sua cerveja.
- O garoto por quem eu sou apaixonado está indo embora hoje para sua cidade natal e eu vou ficar aqui.
- Ah que triste... Você é gay?
- Sim, você é homo fóbico? – retruca Lipe.
- Não, eu não sou homo fóbico, até porque ser homo fóbico é tããããããoooo gay – Lipe da uma risadinha baixa – e eu nem poderia lhe culpar, eu também sou gay. – Lipe arregala os olhos é uma das ultimas pessoas no mundo que ele lhe esperava que disse uma coisa dessas.
- Como é? Você é gay?!
- Que fique só entre nós, mas é verdade. Eu sou lésbica. – os dois caem na risada – Olha nesses casos como você está agora, só há uma pessoa que pode lhe ajudar, o meu grande amigo José.
- Ele é psicólogo?
- Hmm, mais ou menos isso. Garçom! Desce uma José Cuervo para mim e para o meu amigo aqui. Vamos resolver seu problema já já – diz Henri dando tapinha nas costas de Lipe.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------
Anne e Pedro ainda estão sentados se olhando, um sem ter o que dizer ao outro.
- Bem, agora se me der licença eu tenho que ir me trocar.
- Pedro, espera! – Anne se levanta e abraça o amigo naquele momento todas aquelas dúvidas sobre quem havia salvado ela naquele dia vieram, ela tirou a toalha das costas do rapaz e olhou, não havia tatuagem alguma, não havia sido Pedro quem a salvou.
Anne vai embora para casa, quando está abrindo a porta para entrar ela ouve uma voz vindo de trás dela, chamando por ela:
- Anne! Eu estava a sua procura!
- Não acredito! Você voltou?! – exclama Anne.
CONTINUA...
Nenhum comentário:
Postar um comentário