- Anne, eu tenho namorado e não gosto de traição, não vou trair. Você é linda - diz Duda colocando a mão no rosto de Anne, quando uma primeira lágrima escorre do seu rosto que está com as bochechas rosadas - mas eu não posso trair ele e não quero te machucar, eu gosto de você. Não sei se é só amizade, não sei se é algo mais; mas preciso que você entenda que não quero traí-lo. Quem sabe se um dia eu acabar com o Gustavo, acabe acontecendo alguma coisa entre nós.
"Seu namorado é um bundão,
Você nem gosta tanto dele
E faz partir meu coração
Tiver chorar pensando nele
Tudo azul, ele é o cara e eu sou só mais um
A sua vida é feita de ilusão
Queria ser seu namorado, mas você diz sempre NÃO!"
Naquele mesmo dia mais tarde, Duda sairia com Gustavo. Ela vai para casa depois daquele encontro estranho com Anne, toma um banho, almoça, escova os dentes, faz a chapinha, discute com sua mãe que não quer que ela saia e sai.
Ao chegar ao shopping Gustavo já está esperando por ela, ele a vê e já se levanta a espera que ela venha falar com ele, ela pensa por um instante em fingir que não o conhece e seguir reto, só para brincar, mas sabia que ele não gostava desse tipo de brincadeira então foi cumprimentá-lo:
- Oi, my love – diz ele abraçando ela, Gustavo é um rapaz de altura média entre 1,70 e 1,80m de altura, deixa uma barba rala no rosto, usava óculos, com uma camisa listrada, colorida, não era um homem lindo mas também não era feio, era simplesmente... ele.
Ela o abraça e dá olá, não sentia tanta vontade de estar ali assim, não era apaixonada por ele, mas não queria ficar sozinha, era sempre bom ter alguém.
- Como você vai? – pergunta ela largando a mochila, sentando-se na mesa e olhando para ele.
- Ah, o meu dia foi bom, hoje eu... – enquanto Gustavo fala Duda começa a lembrar do que aconteceu com Anne mais cedo, ela se lembra de toda a situação, seu corpo próximo ao dela, seus lábios quase se tocando, é óbvio que ela também sentia atração por Anne, mas se entregar a este amor significaria abandonar sua religião, ter que esconder mais ainda as coisas de seus pais, uma série de complicações, tantas que ela não conseguia nem imaginar, mas só de pensar naqueles lábios novamente ela sentia água na boca – Duda? Duda? Você está me ouvindo? – perguntou Gustavo.
- Ahn? O que foi? – falou ela despertando do pensamento e voltando para a realidade.
- Tá tudo bem? Você parece meio... distante.
- Tá sim, ahn... vamos jogar na máquina de Rock Band? – diz ela pegando sua bolsa e se levantando na direção da máquina, Gustavo acha estranho, mas se levanta e vai atrás da moça, eles jogam por alguns minutos e neste meio tempo a moça erra algumas notas, não por falta de prática, mas por seu pensamento estar em outro lugar, por seu pensamento estar em Anne.
Após o jogo eles saem de mãos dadas:
- My love, ta tudo bem mesmo? Você parece meio estranha, you know – Gustavo tinha a irritante característica de misturar inglês com português na mesma frase.
- Não, ta tudo bem sim, mas já ta tarde eu tenho que ir embora, Gustavo.
- Ok, honey – diz ele abraçando ela e a beijando, naquele instante ela nota que em seu pensamento ela não quer beijar Gustavo, ela quer beijar Anne. Ela quer sentir o beijo dela, não de seu namorado. Ela deseja com todas as forças que ao abrir os olhos veja a moça, mas ao abrir quem se encontra na sua frente é seu namorado Gustavo.
- Eu vou indo – diz ela pegando sua mochila e saindo, quando está saindo ela olha para trás e no lugar onde estava Gustavo ela vê Anne, olhando para ela com um olhar de desejo, ela se assusta e olhe novamente e lá está Gustavo, ela acha que está ficando louca porque já começou a ter alucinações.
Anne está na sua casa quando recebe uma ligação, é Gustavo:
- Alô?
- Alô, Anne?
- Sim, sou eu.
- Oi, Anne é o Gustavo o namorado da Duda.
- Ah – diz ela não gostando de ouvir a voz de seu adversário, Anne tinha esta característica de ser muito competitiva e só por gostar de Duda se sentia obrigada a odiar seu namorado. – oi o que você quer?
- Bem, você é uma das melhores amigas dela, não acho nada melhor do que sermos amigos também.
- E...?
- E é isso. – diz ele.
- Ok.
Gustavo fica estático sem saber o que fazer Duda sempre havia dito que Anne era uma menina doce e isso foi à única coisa que ela não demonstrou para ele, ele pensou que talvez ela estivesse com algum problema ou de TPM e decidiu desligar se despediu dela e desligou; a moça jogou o telefone longe, estava irritada, aquele cara era um tapado completo, burro, sem nada de bom, era somente um ser humano que vivia, respirava e ocupava um lugar na Terra, a Duda era muito para ele e quando ela dizia muito ela queria dizer milhões de vezes mais do que ele merecia, ele era um fraco, um Mané, um bundão isso mesmo aquele era o melhor jeito de explicar o que ele era, ela olha para as fotos de Duda que tem no seu celular e fala:
- Seu namorado é um bundão!
CONTINUA...

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